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Informativo da Comunidade Vampírica Brasileira
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Edição número 8 -
1999-2000 © Copyright Mundo Vampyr
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Brasil, Novembro de 2000.

Breve - Dia 19 de novembro a Vampyr Home Page entrará no ar; assim você terá no Grupo MV o seu portal de sobre Vampirismo e Vampiros para toda a eternidade. Aguarde o chamado, ele virá!


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Artigo III - Vampiros Reais Parte II - por: Obito

::: Leia a parte I :::

Nós bebemos muito, deste elixir do demônio. Esta rodada é por minha conta, e o resto é lama nos seus olhos.

Meu estômago acordou antes de mim. Eu me sentei na cama e ainda sem abrir os olhos tateei pelo vidro de antiácidos na cabeceira da cama. Eu senti minha cabeça como se ela estivesse cheia d'água e esperando para transbordar. Depois de jogar três pastilhas rosadas dentro da boca abri os olhos e procurei pelo despertador, o mostrador me dizia que eu havia conseguido dormir por quatro horas, nenhuma lembrança de sonhos nem nada, apenas o estômago queimando e a garganta seca. Oito da manhã, dava tempo de tomar um banho, engolir alguma coisa de café da manhã e correr para o encontro do dia.

Até alguns anos atrás, na primeira metade dos anos 90, se você resolvesse sair procurando vampiros reais costumava não ter problemas em encontrá-los, mesmo aqui no Brasil. Naquela época eles se dividiam em basicamente cinco grupos: Vampiros Psíquicos, que eram as pessoas que se diziam capazes de se alimentar da "energia vital" das pessoas que as cercavam; Vampiros "Possuídos", que eram aquelas pessoas que por um motivo ou por outro terminavam influenciadas por algum tipo de entidade espiritual e acabavam desenvolvendo algumas características típicas do mito do vampiro, mas acabavam também apresentando quadros de possessão que resultavam em perda de memória, a atividades criminosas que muitas vezes envolviam homicídios ou tentativas de homicídios, existe um livro que tem relatos deste tipo de vampirismo, o nome é Vampires Among Us (Vampiros Entre Nós) de Rosemary Ellen Guiley; Outro tipo de vampiro que se tornou uma certa moda na época merecendo livros escritos a seu respeito e que hoje pouco se houve é o Vampiro Viral, este vampiro acaba sendo vítima de um vírus que causa mudanças em seu corpo esse vírus seria passado através da troca de sangue, secreções sexuais e ocasionalmente através da saliva. Muitas pessoas infectadas por esse vírus criaram rituais onde através de sexo ou da troca de sangue o vampiro transformaria a pessoa "normal" em uma criatura como ele, as mudanças incluiriam foto sensibilidade, uma melhora na visão noturna, anemia e até o desenvolvimento de múltipla personalidade, geralmente duas, uma cotidiana e outra que assumia quando o vampiro se irritava, outros sintomas seriam o fetiche por sangue, uma necessidade de consumir carne vermelha quase, se não completamente, crua e supostamente um aumento considerável em qualidade e intensidade de habilidades psíquicas latentes ou já aparentes na pessoa. A libido das pessoas que foram infectadas pelo vírus primeiro diminui bastante e depois ela explode a níveis muito altos quando a transformação final ocorre, um vampiro viral uma vez disse que a sensação de se transformar é como a que se experiencia quando se toma LSD e se tem uma viagem calma. Muitos desses vampiros dizem que o processo de envelhecimento se torna mais lento. Outro tipo de vampiro que continua bem atual é o Vampiro de Nascimento, de todos os vampiros que eu já encontrei esses são os que aparecem com mais frequência, "Eu nasci uma vampira!" a imagem de Jessica ainda estava forte em minha lembrança... Esse tipo de vampiro se assemelha muito ao vampiro viral, muitos deles podem traçar a origem do seu vampirismo através de suas árvores genealógicas até muitas gerações passadas, mas nem sempre em uma linha direta de descendência, isso pode vir até a sugerir que o vampirismo seja um traço genético recessivo. É durante a puberdade que eles geralmente começam a exibir características da espécie, o que os deixa muito confusos, por isso é bem comum eles falarem a respeito disso na Internet, o que torna a conversa bem impessoal, existem aqueles que tem a sorte de ter pais e até avôs que também exibem a característica o que torna muito mais fácil lidar com a descoberta de que ele ou ela na verdade é um vampiro. O último tipo de vampiro é uma lenda até entre os próprios vampiros, os Vampiros Imortais. Pelo que eu ouvi, até hoje as histórias de vampiros imortais reais parecem ser apenas a necessidade que os vampiros que zanzam por ai tem da existência de tais criaturas. Todo o mito do vampiro se baseia nessas criaturas sobrenaturais que são extremamente poderosas e podem viver para sempre, ou então tanto tempo que isso não faria diferença, como você pode se dizer psíquico e a única prova que temos disso sem o uso de uma série de aparelhos para comprovar é a sua própria palavra, você pode acabar se tornando um simplesmente porque as pessoas realmente acreditam nisso, agora você se dizer um vampiro real como o do mito é diferente já que muitas das coisas que o mito sugere não podem ser provadas apenas por você dizer que é capaz, se dizer um vampiro porque o sol te incomoda e porque você pode sugar a energia vital de alguém ou até mesmo beber sangue toda semana para se manter é uma coisa, dizer que você pode hipnotizar quem quiser quando bem entender, seduzir mulheres completamente desconhecidas com apenas um olhar, ter força sobre humana e finalmente viver eternamente é outra bem diferente, por isso acreditar que existam realmente vampiros assim talvez dê à pessoa algo a que aspirar, um modelo de perfeição ao qual ela pode sempre buscar nas horas de dúvida, ou talvez simplesmente a esperança de que ela realmente seja um vampiro, já que eles "existem".

A pessoa com quem eu marquei um encontro faz parte de uma nova espécie de vampiro, eles são "Vampiros", com V maiúsculo. Em sua maioria eles fazem parte de um grupo conhecido como o Templo do Vampiro, são Vampiros religiosos, e usam a maiúscula para se diferenciar das pessoas que se dizem vampiras, mas na verdade não passam de pessoas frustradas (na opinião de alguns deles, é claro).

Para variar eu cheguei no lugar em cima da hora. O dia estava cinza e um pouco frio e no meio da praça, na entrada de uma pequena ponte de madeira que atravessava um laguinho artificial ele estava me esperando, como disse que estaria. Estava todo de preto, usando um sobretudo, leve o suficiente para se mover com a brisa que ameaçava se tornar um ventinho mais empolgado e pesado o suficiente para fazer ele suar nas têmporas e na testa. Quando cheguei perto o chamei pelo nome com a tranquilidade que apenas a certeza de não conhecer ninguém que estava por perto e de saber que nunca mais ia passar por lá de novo me garantiu.

"DraKulon?"

Ele sorriu e puxando uma correntinha do que parecia ser prata fez sair de dentro da camisa preta um crucifixo invertido. "Eu mesmo, e usando este neném, como eu disse que estaria.", então olhando furtivamente para ambos os lados tornou a guardar o crucifixo dentro da camisa, "Algumas pessoas daqui não pensariam em nos queimar vivos se vissem isso", me confidenciou, "Religious Freaks".

Sempre seguindo a deixa dele nos afastamos da ponte e andamos para uma parte mais calma da praça. Eu o conheci através da Internet, em um chat de um site para vampiros reais, enquanto nos dirigíamos a um banco de concreto perto de um vendedor de Pretzels ele me dizia que estava muito satisfeito com o clima que estava fazendo, eu só conseguia pensar que realmente, DraKulon não era um alias tão fresco quanto Louis, Lestat, Armand ou algum outro inspirado pelos livros da Anne Rice, mas com certeza eu nunca colocaria esse nome em um dos meus cachorros, quanto mais em um dos meus filhos.

Nos sentamos e depois de alguns minutos conversando sobre os nossos trajetos até a praça perguntei:

"Então você é um vampiro. Que tal ser um vampiro?"

Ele não respondeu de imediato, pareceu saborear a ocasião, e quando se dirigiu a mim disse:

"Quando você se torna um vampiro você realmente se sente vivo. Não é como aqueles viciados em RPG imaginam que seja e nem é tão simples quanto aqueles viciados em sangue fazem parecer, na verdade eles nem são vampiros de verdade, só pessoas que curtem orgias e dizem ter a necessidade de beber sangue. Qualquer um pode beber sangue, um vampiro real vai além disso."

Na opinião dele, assim como de todos ou outros vampiros que fazem parte do Templo, o Vampiro real é aquele que transcende a simples condição humana através de práticas mágicas.

"A idéia", ele continuou, "É entrar em contato com os verdadeiros vampiros, aqueles que já deixaram os seus corpos físicos para trás e agora são como formas de inteligência eternas.”

Antes de ir me encontrar com ele eu juntei algumas informações sobre o Templo. Ele me pareceu uma mistura do Satanismo LaVeyano com uma fantasia Lovecraftiana, regida por uma hierarquia inspirada na maçonaria e em outras ordens iniciáticas. Ele foi oficialmente fundado e reconhecido como instituição religiosa nos Estados Unidos em 1989, eu não cheguei a descobrir o nome do fundador, ou fundadores. Como instituição religiosa eles vivem de doações e tem toda uma política interna para encorajar essas doações. Tecnicamente uma pessoa pode se tornar um Vampiro e se tornar membro vitalício do Templo fazendo uma doação sincera de qualquer quantia, ou adquirindo qualquer um dos ítens do templo. Aqueles que estiverem de acordo com A Crença do Vampiro pode assinar o Cartão De Membro Vitalício (que é um cartãozinho vermelho) que a pessoa recebe após ter feito a doação ou adquirido algum dos ítens que variam desde a Bíblia Vampíria (doação mínima de U$ 29,00 mais U$ 6,00 para despesas postais), até cartões de visita do templo (um cartão negro com o crânio alado no centro, que por uma doação de U$ 15,00 dá ao novo ou antigo Vampiro direito de receber 50 cartões), anéis com o logo do crânio alado (adquirido com uma doação mínima de U$ 59,00 masi U$ 6,00 de despesas postais), um medalhão (doação mínima de U$ 59,00, mais os U$ 6,00 para despesas de envio, "Uma dramatica afirmação da sua afiliação ao templo e recomendada concentração para auxiliar nos rituais"), e outros produtos.

"Ser um Vampiro é ser um membro da religião Vampírica, assim como as outras religiões têm as pessoas seguem uma crença, no Vampirismo nós seguimos a Crença Vampírica.". Ainda sendo cauteloso quanto à proximidade de outras pessoas ele tirou de um bolso interno do sobretudo um livro preto com o logo do crânio alado, e o abrindo logo no início começou a ler:

"Eu sou um Vampiro.

Eu idolatro meu ego e eu adoro minha vida, pois eu sou o único Deus que existe.

Eu tenho orgulho de ser um animal predador e honro meus instintos animais.

Eu exalto minha mente racional e não tenho nenhuma crença naquilo que desafia a razão.

Eu reconheço a diferença entre o mundo real e o mundo de fantasias.

Eu estou ciente do fato que a auto preservação é a lei mais alta.

Eu reconheço os poderes das Trevas ocultam leis naturais das quais eu posso realizar minha magia.

Eu acredito que minha crença nos rituais não passa de fantasia, mas que a magia é real, e eu respeito e reconheço os resultados da minha magia.

Eu sei que não existe um céu ou um inferno, e eu enxergo a morte como a destruidora da vida.

Por isso eu tiro o meu maior proveito no aqui e no agora.

Eu sou um Vampiro, curve-se em minha presença."

Qualquer pessoa que já tenha lido a Bíblia Satânica escrita por Anton Szandor LaVey no fim da década de sessenta sabe de onde essa "Crença Vampírica" saiu. E pensando na parte que diz que o Vampiro não tem nenhuma crença naquilo que desafia a razão eu perguntei:

"E que tal servir deuses Não-Mortos para um dia se tornar como eles?"

"É ai que você vê quem realmente é um vampiro ou quem só está entediado e buscando algum grupo para fazer parte. No Vampirismo real nós temos uma meta que é deixar o corpo de carne para trás para nos tornarmos Vampiros Reais. Através de rituais nós nos aproximamos cada vez mais da imortalidade e do poder real que são características do Vampiro."

Esses rituais consistem basicamente em alimentar fantasmas que eu nunca ouvi falar fora da crença do Vampiro. A idéia é se alimentar da energia vital das pessoas, praticando o vampirismo psíquico, para então em um ritual grupal cada membro pegar toda essa energia e direcionar a um celebrante que por sua vez a direciona diretamente para os Deuses Não Mortos, os Vampiros Imortais. De acordo com o que DraKulon descreveu você passa a semana toda se alimentando da energia vital de pessoas na rua e na escola, então no encontro você descarrega tudo isso e pode sentir a existência desses seres, e em troca eles vão consedendo poderes mágicos cada vez maiores a seus seguidores. A imagem de Cthulhu morto, mas sonhando em sua cidade de R'lyeh me veio à mente. Na verdade o Templo do Vampiro não é o único grupo de Vampiros religiosos, ou "mágicos" que tem sua crença no amálgama entre o satanismo moderno e os contos de H.P. Lovecraft. Ainda hoje se é possível encontrar material do Tempel of Azagthot e do Culto de Nrsingadeva. De acordo com o escritor de ficção fantástica do começo do século Azathoth seria o Caos Primordial, também conhecido como o demônio Sultan. Ele estaria sentado em sua corte, no centro do universo, eternamente resmungando e blasfemando em seu torpor mental, presidindo sobre a dança dos outros deuses.

No Templo dos Vampiros o objetivo é cada indivíduo ir se desenvolvendo como mago e assim ir elevando o seu status de vampiro. Claro que não basta você estudar ocultismo e ir se desenvolvendo como praticante das artes antigas, você precisa obedecer a hierarquia interna do Templo. De acordo com os Vampiros em graus mais altos Os Ensinamentos Maiores do Vampirismo são leitura obrigatória para que cada membro possa atingir os graus mais elevados da religião. Os ensinamentos estão distribuídos em outros livros, cada vez mais avançados em conteúdo (cada um vale uma doação mínima de U$ 29,00 mais U$ 6,00 para despesas postais). Se você leu a Bíblia Vampírica e realmente deseja se tornar um Vampiro imortal e poderoso. Acima da Bíblia Vampírica temos A Bíblia do Vampiro Predador, onde as técnicas de Vedar, Estender e Buscar o Astral são ensinadas. Então temos a Bíblia da Irmandade do Vampiro, que trabalham o lado sombrio e o lado claro, no sombrio as técnicas de Abertura do Portal Astral para experiências extra corporais e o uso do Necromanteion, uma antiga passagem para a Comunhão com os Deuses Não Mortos são trabalhadas, e para o lado claro um exame do Deus Vampiro e da filosofia Vampírica. Em seguida surge a Bíblia do vampiro Mago, onde as 9 leis da Mágica são mostradas com exemplos para aplicações práticas, elas trabalham desde a cosmologia do vampiro no aspecto noturno e a manipulação da psicologia humana no aspecto diurno do Vampiro. E finalizando temos a Bíblia do Vampiro Adepto que é onde encontramos um trabalho detalhado no Modelo Quadri Dimensional de Todos os Mundos Possíveis (claro que você pode adquirir os quatro livros com uma doação mínima de U$ 116,00 mais U$ 14,00 para despesas postais.

Eu não tive acesso aos outros livros além da bíblia vampírica, mas posso imaginar de onde saiu o conhecimento contido nesses livros todos, desde A Bruxa Satânica, até livros de teoria de Física cm certeza entraram na roda, pelo que eu vi e ouvi da parte teórica alguém esperto leu a bíblia Satânica, quando adolescente realmente acreditava que o Necronomicon existia e com o tempo e a fala de provas passou a acreditar que o livro era uma farça mas o conteúdo real e adicionou um pouco de material científico que ajudam a transformar o impensável em muito provável.

Nós ficamos conversando algumas horas, até que fomos comer uns Pretzels, pouco antes de nos despedirmos ele me falou sobre um grupo que viviam pela cidade, Os Filhos do Sangue, que era formado por pessoas que gostavam de tatuagens, Bodymodification, que tinham toda uma cultura Modern Primitives e que se diziam vampiros também, ou pelo menos o líder se dizia vampiro. Ele me falou de reuniões e rituais onde sacrifícios de animais eram realizados e onde drogas pesadas corriam soltas. Assim como no Satanismo a Crença Vampírica não permite o uso de sangue na alimentação e em rituais, quando LaVey escreveu a Bíblia Satânica ele conseguiu explicar porque o sangue é inútil para o Satanista, e como o poder dele é apenas simbólico, sabendo-se trabalhar bem o Satanista consegue usar vinho ou até mesmo água com o mesmo resultado que o uso de sangue teria em um ritual mágico. No caso da Crença Vampírica eu achei a explicação fraca e sem graça, apenas uma maneira de tentar aparecer como bons vampiros e não aqueles “fetichistas que gostam de ficar lambendo sangue uns dos outros em orgias”. Eu peguei o endereço da fazenda onde costumavam se reunir, ficava em uma estrada de saída da cidade onde eu estava, a meia hora de distância, e me despedi. Eu tinha a tarde para pesquisar um pouco sobre os rituais realizados pelos Vampiros e ainda tinha um encontro marcado para o dia seguinte com o casal que conheci na noite anterior, Jasmin e Mark. Voltei para o Hotel para ver se conseguia descansar mais algumas horas antes de começar as minhas leituras.